Ritual de Enlouquecimento com Exu Capa Preta das Encruzilhadas
Cenário: Um terreiro improvisado em um ambiente sombrio, mas limpo e organizado. Uma mesa de madeira escura está ao centro, com uma toalha vermelha e preta, cores tradicionais da Quimbanda. Ao redor, velas vermelhas e pretas são dispostas em triângulo, representando a força e a abertura de caminhos espirituais.
Preparação do Ritual:
Materiais sobre a mesa:
- Um boneco feito de cera com os traços da vítima (homem ou mulher), recheado com ervas específicas como quebra-pedra (para desestruturar) e erva-de-são-joão (para confundir a mente).
- Uma garrafa de cachaça aberta e uma taça de cristal ao lado.
- Um espelho pequeno voltado para baixo, simbolizando o fechamento da lucidez.
- Sete moedas (representando as oferendas e o pagamento à entidade).
- Punhados de tabaco queimando em um incensário.
Chamada à Entidade:
O kimbandeiro se veste de preto e vermelho e, descalço, traça um ponto riscado (símbolo ritualístico) no chão com giz branco. Ele desenha um tridente ao centro e marca os cantos com as velas acesas.- Com voz firme, começa a invocação:
“Laroiê Exu Capa Preta! Guardião das mentes e senhor da confusão. Venha nesta noite de força e escute o meu chamado. Com esta oferenda, peço que confunda os pensamentos de [nome da vítima], desvie seus caminhos e faça sua mente vagar sem descanso. Que sua presença se manifeste e sua justiça seja feita.”
- Com voz firme, começa a invocação:
Ação no Boneco:
O feiticeiro pega o boneco de cera e o segura diante do espelho invertido, enquanto joga cachaça sobre ele e diz:
“Assim como este líquido escorre sem rumo, que a mente de [nome da vítima] perca sua direção. Que sua visão fique turva, suas palavras desconexas e seus pensamentos, descontrolados.”- Ele então pega sete alfinetes pretos e os espeta na cabeça do boneco enquanto recita:
“Pela força de Exu Capa Preta, cada espinho é uma dúvida, cada ponta é uma confusão. Que [nome da vítima] se perca nos próprios pensamentos e não encontre sossego até que seja libertado.”
- Ele então pega sete alfinetes pretos e os espeta na cabeça do boneco enquanto recita:
Oferendas e Encerramento:
- O kimbandeiro coloca a garrafa de cachaça, as moedas e um prato com farofa de dendê e carne seca no centro do ponto riscado. Ele acende um charuto, traga e sopra a fumaça em direção ao altar, simbolizando a conexão espiritual.
- Finaliza dizendo:
“Exu Capa Preta, receba esta oferenda e execute a justiça que te foi pedida. Que assim seja, que assim será!”
Descarte do Boneco:
Após o ritual, o boneco deve ser descartado longe da casa do kimbandeiro, preferencialmente em uma encruzilhada (não necessariamente a mesma onde se trabalha com kiumbas). Antes de sair, ele joga água com sal grosso em si mesmo para limpar qualquer resquício de energia do ritual.
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