O encerramento do ritual é um momento crucial para garantir que as energias invocadas sejam devidamente direcionadas e que o praticante se desconecte de qualquer influência espiritual negativa. Na Quimbanda, rituais bem-feitos incluem não apenas a execução, mas também o encerramento correto para evitar problemas como a reversão da demanda ou a presença de energias residuais.
1. Palavras de Conclusão e Firmeza
O feiticeiro deve se posicionar em frente aos caixõezinhos com os bonecos e dizer em voz firme algo como:
"O trabalho está feito, a entrega foi feita. Pelas forças de Exu e Pombagira, pelos Kiumbas aqui invocados, que se cumpra a demanda conforme a justiça do reino das sombras. Eu agora me desconecto e entrego estas energias ao destino dos meus inimigos. Assim está feito, assim será!"
- Essas palavras servem para formalizar o término da conexão entre o praticante e os objetos do ritual.
2. Oferta Final às Entidades
Antes de descartar os caixõezinhos, o feiticeiro deve fazer uma oferta final às entidades envolvidas no trabalho para agradecer pela participação e garantir que elas cumpram o objetivo sem trazer consequências para ele.
- Velas: Acender restos de velas (de preferência pretas ou vermelhas) em torno dos caixões.
- Cachaça: Derramar cachaça ao lado dos caixões como uma última oferenda para os Kiumbas.
- Falas durante a oferta:
"Aqui está a luz e a bebida que vos ofereço, Kiumbas, para que sigam na tormenta contra [nomes ou referências dos inimigos]. Que não fiquem mais neste local, mas sigam com a missão dada."
3. Limpeza e Proteção Pessoal
O feiticeiro deve garantir que está protegido contra qualquer resquício de energia negativa. Durante o encerramento, ele pode:
Tomar um banho de ervas logo após o ritual:
- Usar ervas como arruda, guiné e alecrim para limpar o corpo e cortar qualquer ligação espiritual negativa.
- Enquanto despeja o banho, dizer:
"Que as águas levem tudo que não me pertence. Que as forças das ervas limpem e protejam meu espírito."
Traçar um ponto de proteção no corpo ou no chão:
- Traçar um ponto riscado com pólvora, carvão ou giz em forma de cruz ou sigilo de proteção, pedindo o amparo de Exu ou Pombagira.
4. Fechamento do Local
Para encerrar as energias no espaço onde o ritual foi realizado (no caso, o jardim), o feiticeiro pode defumar o local e selar energeticamente com orações ou traços de proteção.
Defumação:
- Usar carvão incandescente e queimar ervas de limpeza como alecrim e mirra, ou até cascas de alho.
- Andar pelo espaço e dizer:
"Que o que aqui ficou volte para o reino de onde veio. Que este lugar esteja limpo e protegido pela força de Exu."
Selamento:
- Traçar um círculo de sal grosso ou uma cruz com pólvora nos limites do jardim ou no local onde os caixões estavam.
5. Descarte dos Caixões e Bonecos
Depois do encerramento, os caixões com os bonecos devem ser levados para um local apropriado de descarte, fora da casa. Isso é importante para evitar que as energias do ritual fiquem atreladas ao ambiente doméstico.
Locais sugeridos para o descarte no contexto do filme:
- Um cemitério: enterra os caixões em um túmulo abandonado.
- Uma encruzilhada: deixa os caixões e as oferendas no local e vai embora sem olhar para trás.
- Uma cachoeira ou rio: joga os caixões na água corrente, pedindo que as forças levem o trabalho para seu destino.
Falas durante o descarte:
"Aqui entrego os restos deste trabalho. Que sigam seu curso e cumpram o destino que lhes foi dado. Assim está feito!"
6. Proteção Final
Após descartar os objetos, o feiticeiro deve garantir que está completamente desconectado das energias invocadas. Pode ser feito um último pedido de proteção:
- Acender uma vela branca ou vermelha em nome de Exu ou Pombagira e dizer:
"Peço que me guardem e me protejam. Que este trabalho siga seu curso sem me trazer mal algum. Que a justiça seja feita. Laroyê Exu, Exu é mojubá!"
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